Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Karoline Karam Guibes Kunzler
Coautor(es)
Poliane Eloyze Tostes
Larissa Estevão Romanichen
Karen Cristiane Ruiz
Um dos direitos básicos do ser humano é ter acesso à saúde, além de ser um bem universal é dever do Estado, sendo garantida pela Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2012). O Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil é um sistema público justificado num plano territorial descentralizado, hierarquizado e interligado regionalmente por meio das redes de atenção à saúde, fundamentado nos princípios da universalidade, equidade e integralidade. A Atenção Básica (AB) possui inúmeras atribuições entre elas incluem programar ações a partir de sua base territorial, de acordo com as necessidades de saúde da sua população adscrita (BRASIL, 2012). Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) a participação de toda a equipe é fundamental para o processo de territorialização e mapeamento da área de abrangência da UBS, identificando indivíduos e famílias expostas a riscos e vulnerabilidade (BRASIL, 2012). Para Gondim Monken (2009) o termo território refere-se a um espaço de terra, na área da saúde possui significado mais amplo. Contudo a terminologia territorialização é entendida como o planejamento de ações estratégicas de saúde, uma metodologia que possibilita o reconhecimento das condições de vida e de saúde da população da área de abrangência dentro de uma equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF).
Esta experiência exitosa tem como objetivo demonstrar o processo de territorialização realizado por uma equipe de ESF do município de Cândido de Abreu – PR. Este trabalho consiste de um estudo descritivo com abordagem qualitativa a partir da aplicação das tecnologias de georreferenciamento e estratificação de vulnerabilidade social familiar, baseada nos principais problemas sociais, durante um processo de territorialização da área de abrangência de uma unidade de estratégia saúde da família no período de novembro de 2021 a março de 2022.
O processo de territorialização ocorreu em três etapas. Inicialmente foram realizadas oficinas fornecidas pelo Projeto “Mais Cuidado Mais Saúde” – sendo a Oficina 2 – Territorialização, com isso foi realizado a estratificação caracterização sociodemográfica e condições clinicas das famílias de cada Agente Comunitário de Saúde (ACS) através das fichas do e-SUS de cadastro familiar e individual e a transcrição para uma planilha do google drive que permite a avaliação visualmente e por fim realizado o mapa inteligente do território utilizando a torre de risco familiar. A classificação das famílias se deu através da aplicação da escala de Coelho e Savassi como instrumento para a priorização das visitas domiciliares e maior monitoramento das doenças e agravos. A escala consiste em uma lista de indicadores com escores cuja somatória classifica o risco familiar: R0 = sem risco R1 = menor risco R2 = risco médio e R3 = risco máximo. Após a classificação das famílias foi confeccionado os mapas de cada território utilizando a torre de risco que consiste em deixar visivelmente as condições de saúde de cada família, a cada condição de saúde é agregado uma pontuação para classificar o risco da família, classificada em sem risco (azul), baixo risco (verde), médio risco (amarelo) e alto risco (vermelho). Em cima da base familiar é colocado em discos coloridos feitos de EVA que corresponde às condições saúde.
Esse levantamento tem como principal vantagem facilitar o planejamento estratégico, para que o mesmo ocorra de forma equitativa, priorizando as famílias com maiores riscos, possibilitando acesso integral aos usuários conforme suas necessidades de saúde. A ESF possui 3.351 usuários cadastrados. A partir da utilização da planilha do google drive conseguimos visualizar a quantidade de famílias em cada grupo de risco. Ao total temos 1.108 famílias, sendo 382 famílias sem risco (34,5%), baixo risco 447 famílias (40,3%), médio risco 239 famílias (21,6%) e alto risco 40 famílias (3,6%).
O mapeamento das características do território permite tanto à análise situacional, como uma visualização dos domicílios e alguns objetos desse território que interessam ao seu processo de trabalho, tornando as visitas direcionadas e efetivas. A territorialização é um instrumento fundamental para fazer valer aos usuários os princípios fundamentais do SUS. Após a realização desse processo na Unidade de Saúde ficou nítido.