Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Karoline Karam Guibes Kunzler
Coautor(es)
Poliane Eloyze Tostes
Larissa Estevão Romanichen
Karen Cristiane Ruiz
Ana Paula Batista Koziel
Diante das inúmeras atribuições da Atenção Básica no cuidado aos usuários, notou-se a necessidade REESTRUTURAÇÃO da assistência ao pré-natal no município, com a finalidade de organizar e melhorar o cuidado às mulheres no período gravídico puerperal. O município de Cândido de Abreu situa-se na Região Central do Estado do Paraná. Distanciam a 247 km da cidade de Londrina, 302 km de Curitiba e a eles ligados por rodovia asfaltada. O município possui uma vasta extensão territorial, grande parte da população sendo rural. Conta com cinco UBS e um hospital de pequeno porte, sendo três UBS localizadas na área urbana onde atende população urbana e rural, conforme a territorialização, e dois UBS rurais sendo as mesmas subdividas em cinco mini postos cada, para ofertar melhores condições de saúde e acesso a população. Todas as equipes possuem em seu quadro efetivo: enfermeiro, médico, odontólogo, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde, equipe multiprofissional contendo nutricionista, psicóloga, fisioterapeuta, educadora física. O município apresentava uma série histórica com altos índices de mortalidade infantil, com causas evitáveis e também inevitáveis: como infecção urinária materna, doença hipertensiva específica da gestação e algumas más-formações genéticas. Em conjunto com todos os enfermeiros, coordenação e gestão instituiu a aplicação de boas práticas ao pré-natal. Desde o acolhimento, agendamento de exames, interpretação dos mesmos, ações profiláticas e parto.
Caracterizar as ações de fortalecimento da assistência ao pré-natal realizadas no município. Esta experiência exitosa tem como objetivo demonstrar as ações que foram realizadas no município de Cândido de Abreu no intuito de reestruturação do processo de trabalho da assistência ao pré-natal afim da diminuição da mortalidade de crianças menores de um ano de vida. Tendo em vista esta fragilidade, após as investigações do Comitê Municipal de Mortalidade Materno Infantil, optou-se em investir na assistência ao pré-natal resolutivo, com atendimentos humanizado, exames laboratoriais e de imagens de boa qualidade. Realizado investimento em tecnologia leve-dura, com capacitações, uso de protocolos pré-estabelecidos inicialmente pela Linha de Cuidado Materno Infantil e Cadernos do Ministério da Saúde.
A iniciativa se deu por parte do gestor da SMS, com o alto números de óbitos infantis no ano de 2018, solicitado apoio da equipe da 22ª Regional de Saúde (RS). A partir do disposto foram realizados encontros com ambas as equipes, discutindo os casos dos óbitos. Foi instituído protocolo de exames nos trimestres e a idade gestacional que deveria ser realizado os mesmos, reorganizado a estrutura da consulta de enfermagem, realizado discussão de casos entre os enfermeiros para melhorar a assistência. No ano de 2023 o Ambulatório Multiprofissional Especializado (AME), Consórcio Intermunicipal (CIS) e Enfermeira Obstétrica, implementaram o Projeto GESTARSUS, onde todos os enfermeiros dos 16 municípios da 22ª RS passaram por capacitação in loco com a enfermeira que atende na linha Materno Infantil do AME. Neste projeto foi disponibilizado a Sistematização da Assistência em Enfermagem (SAE) para consulta de pré-natal, qualificando as consultas de enfermagem. O Comitê de Mortalidade Materno Infantil teve papel fundamental, pois todos os enfermeiros participavam nas discussões de casos, buscando melhoria e reestruturação no cuidado ao pré-natal.
Após o levantamento dos dados através das investigações, houve a reorganização do processo de trabalho, interpretação dos exames, aplicação dos protocolos, trabalho multidisciplinar com a equipe multiprofissional e matriciamento da equipe de apoio da Rede Materno Infantil - AME. Os resultados alcançados foram significativos, pois as gestantes tiveram melhor a adesão, se viram como protagonistas do cuidado. A rotina de exames proporcionou diagnósticos precoce, favorecendo intervenção precoce para sinais de alerta e encaminhamento para a rede. Ações rotineiras que por vezes passava despercebido pela equipe, começou a ser vista com olhar clínico, como as infecções urinárias da gestação, sinais de pré-eclâmpsia, que levam ao trabalho de parto prematuro e por vezes ao óbito. As equipes priorizaram esses detalhes, com isso houve a diminuição de agravamento. Segundo dados retirados do Sistema de Informação SIM Federal a taxa de mortalidade infantil teve uma redução significativa após adotados os protocolos e atendimento humanizado. Em 2018 teve nove óbitos infantis em 2019 teve dois óbitos infantis em 2020 teve dois óbitos infantis em 2021 teve sete óbitos infantis, sendo duas gestações gemelares e em 2022 tivemos um óbito infantil, 2023 e 2024 teve dois óbitos cada.
Como a grande parte dos municípios do interior, Cândido de Abreu não possui médico obstetra no seu quadro de funcionários, a assistência ao pré-natal é realizada predominantemente pelos profissionais enfermeiros e os médicos generalista, além das funções da AB pré-estabelecidas, e deve-se levar em consideração a vasta extensão territorial do município. Após a implantação das rotinas de boas práticas e protocolos de rotina de exames, a qualidade dos atendimentos melhorou, as gestantes tiveram uma adesão significativa ao pré-natal, comparecendo nas consultas agendadas, realizando os exames solicitados, proporcionando um pré-natal de qualidade. Mesmo diante das inúmeras dificuldades que a pandemia ocasionou nos últimos anos, o pré-natal e puerpério continuou sendo prioridade nos atendimentos das equipes de saúde, tornando o pré-natal resolutivo e seguindo os princípios de equidade e integralidade de cada usuária. Portanto, fica claro nesta experiência exitosa que o vínculo da equipe com a gestante, as rotinas de boas práticas e protocolos de exames, contribuíram para a melhoraria a assistência ao pré-natal e puerpério.
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