Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
autor(a)
Pricila Felisbino
Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) foi criada pelo Ministério da Saúde, por meio das Portarias nº 198/2004 e nº 1996/2007, e preconiza a construção de estratégias que qualifiquem a gestão em saúde e a organização das ações e dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da formação e do desenvolvimento dos trabalhadores da área da saúde1. A PNEPS visa nortear a formação e a qualificação dos profissionais inseridos nos serviços públicos, na busca de transformar as práticas e a própria organização do trabalho com base nas necessidades e dificuldades do sistema2. A Educação Permanente em Saúde (EPS) apresenta um cenário que envolve a metodologia da problematização, interprofissionalidade, com ênfase nas situações-problema das práticas cotidianas, possibilitando reflexões críticas e articulação de soluções estratégicas em coletivo, e encontra-se inserida no desenvolvimento e na consolidação do SUS. A EPS promove melhoria do serviço prestado, incentivo a intersetorialidade e capacitações para profissionais da equipe, como forma deconhecimento e motivação profissional. Existe dificuldade no entendimento conceitual do que seja EPS, que se mostram como impasse para sua implementação. Se os profissionais da saúde e gestores não conhecerem essa política pública e não compreenderem a sua importância, não haverá espaços para que a EPS seja colocada em prática nos serviços públicos de saúde.
Avaliar a percepção dos profissionais de saúde em relação à prática da Educação Permanente em Saúde.
Trata-se de um estudo descritivo, transversal, de abordagem qualitativa, utilizando-se de questionários com perguntas abertas, realizado com profissionais de saúde atuantes no serviço público do município de Novo Itacolomi, no estado do Paraná. A pesquisa consistiu na aplicação de um mesmo questionário aberto, antes e após uma capacitação sobre Educação Permanente em Saúde para avaliar a percepção desses profissionais quanto à prática da EPS. O curso de capacitação foi ofertado no ano de 2019 para todos os profissionais de saúde do município de Novo Itacolomi/PR, buscando discutir e compartilhar conhecimentos sobre a prática da EPS nos serviços públicos de saúde. Foram ofertadas ações de EPS às três equipes de saúde (equipe da Estratégia Saúde da Família, equipe de Saúde Bucal e equipe de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica). A atividade foi realizada pela enfermeira apoiadora da 16ª Regional de Saúde do Paraná com conhecimento e experiência em EPS. O questionário foi composto por quatro questões abertas que continham informações relacionadas ao conhecimento, percepção e prática da EPS dos profissionais de saúde,respondidos no pré e pós capacitação. As respostas dos questionários foram pré-codificadas e pré-analisadas de modo transversal e intuitivo, o que possibilitou a identificação do ponto de saturação dos dados. A codificação e análise das respostas foram realizadas pela técnica categorial de Bardin (2011).
Participaram do estudo 28 profissionais de saúde, sendo 89% do sexo feminino e 50% na faixa etária de 30 a 39 anos de idade. Destes, 78% eram profissionais atuantes na APS, e 64% contratados sob o regime estatutário. Dentre os profissionais 36% eram enfermeiros e 61% dos profissionais tinham mais de 10 anos de trabalho no serviço público. Verificou-se como fatores facilitadores da Educação Permanente em Saúde: entendimento sobre conceito e prática (antes) importância para prática no serviço e melhoria no atendimento ao usuário (após), e como barreiras: compreensão incipiente do conceito e prática (antes) e dificuldades de implementação (após). Este estudo mostrou que antes da capacitação, no conceito e a prática, sinalizava-se dificuldades na implementação e prática da EPS. Após a capacitação, houve um ganho em aprofundamento no conhecimento, uma vez que foram encontrados relatos sobre o reconhecimento da importância da educação permanente para o serviço e para a melhoria no atendimento ao usuário.Após a capacitação, os participantes da pesquisa ressaltaram a “Importância da EPS na prática do serviço e na melhoria do atendimento ao usuário”, por meio da problematização entre os membros da equipe e usuários, com formulações de estratégias e práticas, atuação interprofissional nas equipes e trocas de conhecimentos, mediante reuniões, matriciamento e capacitações. Atividade propiciou aos participantes se reunirem e discutirem sobre a EPS e a sua importância .
A capacitação da equipe de saúde oportunizou discussões e aumento de conhecimento a respeito da EPS entre os profissionais. Os fatores relatados evidenciam a necessidade dos profissionais de saúde se capacitarem, sendo importante o apoio da gestão para que a Educação Permanente em Saúde possa ser inserida na rotina de trabalho do município, com melhorias no processo de trabalho, consolidação da interprofissionalidade e qualidade na atenção aos usuários. A implementação da EPS nos serviços públicos de saúde visa a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho, ao tomar como referência as necessidades dos profissionais de saúde, dos usuários e das comunidades. Este estudo mostrou diferenças na percepção dos profissionais sobre a EPS antes e após a capacitação, aumentando a compreensão da importância e da potencialidade de integrar a equipe, passando de um conhecimento incipiente da EPS para uma necessidade de implementação.