Tema: CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA SAÚDE
Autor(a)
Rafaela Cristine Cobos
Coautor(es)
Jisiane Fatima Sobczak Maia
Joyce Mari Hoinacki
Alice Markievicz
Yan Gabriel Sates Silva
A prática de descartar medicamentos vencidos ou que sobraram de algum tratamento na descarga sanitária ou no lixo comum, pode gerar danos irreversíveis ao meio ambiente, afetando os solos, mares, animais e também qualquer pessoa que entre em contato com as substâncias, pois, o medicamento desprende componentes químicos nocivos que afetam diretamente a água. No Brasil, o descarte de medicamentos vencidos ou em desuso deve ser feito em farmácias ou postos de saúde que tenham pontos de coleta. Esses locais possuem contratos com empresas especializadas em destinar corretamente para a incineração em usinas preparadas ambientalmente para essa ação. Essa é uma determinação do Decreto nº 10.388, de 2020 que institui o sistema de logística reversa após o descarte pelos consumidores, porém, isso ainda não é amplamente difundido e por isso muitas pessoas descartam incorretamente por falta de informação, não de opção. Diante desta problemática, notou-se a necessidade de uma ação para conscientização da população sobre a correta destinação destes produtos. A ação ocorreu com a aplicação de um questionário aos usuários do SUS em diversos estabelecimentos de saúde do Município de Paulo Frontin, acerca de como os mesmos estavam realizando o descarte, e após, a entrega de um folder explicativo contendo informações sobre o descarte correto.
Verificar o conhecimento e conscientizar a população sobre o destino de medicamentos vencidos ou em desuso, sensibilizar os consumidores para o descarte correto, além de motivar os profissionais da saúde a divulgar essa informação, a fim de prevenir possíveis danos ambientais decorrentes do descarte incorreto.
Realização de um estudo exploratório, seguido de entrevistas com os pacientes usuários do SUS do Município de Paulo Frontin - PR, guiado por questionário próprio elaborado pela farmacêutica autora do trabalho. A execução foi feita dentro das dependências das farmácias do município sendo, farmácia básica central, farmácias do interior e farmácia do pronto atendimento. Após a realização da entrevista os pacientes receberam um folder explicativo contendo todas as informações de como fazer o descarte correto de medicamentos, além de orientações e esclarecimento de dúvidas.
O presente estudo obteve 54 usuários entrevistados, distribuídos pelos estabelecimentos de saúde do município de Paulo Frontin – PR. Ao aplicar o questionário tivemos o seguinte resultado: quanto ao grau de escolaridade: 2 se declararam analfabetos 24 possuem ensino fundamental, 15 o ensino médio e ao total de 13 o ensino superior completo. Quando questionados com relação em como realizavam o descarte de medicamentos vencidos ou sem uso, teve-se como resposta: 1 usuário afirmou realizar o descarte em vaso sanitário, 18 em lixo comum e 35 em pontos de coleta em postos de saúde. Na terceira pergunta, sobre o que os entrevistados achavam do descarte incorreto em vaso sanitário ou lixo comum poder afetar o meio ambiente, 45 afirmaram que há prejuízos ao meio ambiente, 2 responderam que não e 7 não souberam responder. Na quarta pergunta foi colocado em questão quando há sobras de medicamentos de um tratamento prescrito, 6 responderam que jogam no lixo, 33 que guardam para quando tiverem os mesmos sintomas e 15 responderam que descartam em pontos de coleta. Com relação ao descarte de caixa e bula, 25 responderam que descartam em lixo reciclável, 26 em lixo comum e 3 em pontos de coleta.
Analisando os resultados obtidos observa-se que há um certo conhecimento da população sobre o descarte de medicamentos ocorrer em local apropriado, e responsabilidade com o meio ambiente. Percebeu-se uma diferença de respostas nas farmácias de postos do interior quando relacionadas às respostas da farmácia básica central e farmácia do pronto atendimento que ficam situados na área urbana, tal diferença pode ser dada pelo menor conhecimento e acesso da população da área rural sobre a coleta dos medicamentos vencidos ou sem uso pela unidade de saúde. Embora alguns já demonstrem o conhecimento, fica evidente a necessidade de ações e promoções de divulgação para maior difusão da informação permitindo assim um descarte consciente e o uso racional de medicamentos.