Tema: REGIONALIZAÇÃO E GOVERNANÇA REGIONAL
Autor(a)
Cristiane Sinhoca Rasera
Coautor(es)
Flavia Verniz Adachi
Juliane Faria Loureiro
Nalu Caigawa
Celia Benevides Gadelha Leite
O CAPS Territorial é um modelo assistencial adotado pelo município a partir do redimensionamento dos CAPS, de maneira que cada Distrito Sanitário tenha este serviço especializado em seu território, responsável pelas demandas da saúde mental de pessoas adultas que apresentem grave prejuízo funcional, por meio do cuidado integral pautado em ofertas de ações terapêuticas desenvolvidas por equipe multiprofissional, contemplando as diferentes especificidades apresentadas pelos usuários e com forte articulação com demais equipamentos da rede intra e intersetorial do respectivo território, visando a reabilitação psicossocial.
Favorecer acesso à população adulta com transtorno mental grave, crônico e persistente, incluindo os decorrentes do uso de álcool e outras drogas ao tratamento especializado próximo ao seu território de residência. Adotar modelo assistencial pautado na lógica da integralidade, que visa proporcionar o cuidado pautado na clínica do sujeito, independente do seu diagnóstico, em consonância com as práticas clínicas e exigências técnicas de cada núcleo profissional e normativas que regulamentam o funcionamento do CAPS. Promover maior articulação do CAPS com demais equipamentos que compõe a rede intra e intersetorial do território.
Elaboração de diagnóstico quanto ao funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial de Curitiba - 111 Unidades de Saúde 04 ambulatórios 12 Centros de Atenção Psicossocial 09 Unidades de Pronto Atendimento e 02 hospitais especializados, cujo resultado apontou: práticas heterogêneas de profissionais que atuam em serviços de mesma natureza fragmentação do cuidado dificuldade de acesso geográfico aos serviços especializados articulações incipientes entre CAPS e os demais equipamentos da rede. Discussão da proposta CAPS Territorial com diferentes segmentos: Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde, Ministério Público, Comissão de Saúde Mental, Sociedade Paranaense de Psiquiatria, Universidades e Conselhos de Classe com validação pelo Conselho Municipal de Saúde. Implantação a partir de projeto piloto em dois CAPS (um AD e outro TM), referências de dois territórios. Remanejamento das equipes desses serviços, contemplando a experiência técnica quanto as clínicas AD e TM constituição de documentos técnicos orientativos - Diretrizes Institucionais dos CAPS e Linha Guia de Saúde Mental para APS capacitações aos profissionais de CAPS e APS estabelecimento do Grupo Condutor em Saúde Mental com representantes de cada equipamento dos respectivos territórios para integração e planejamento de ações territoriais. E, por fim, sistematização de metodologia avaliativa nestes serviços, incluindo a participação do controle social, usuários, familiares e trabalhadores.
RESULTADOS: A partir da avaliação realizada por meio dos dados colhidos em relatório de gestão assistencial dos CAPS, identificou-se aumento médio de cerca de 40% no número de acolhimentos, nos primeiros três meses de operação, evidenciando favorecimento do acesso. Através de pesquisa de satisfação realizada por amostragem a usuários e familiares, sob supervisão de representantes do controle social, obteve-se índice de satisfação superior a 90%, traduzindo aprovação por parte dos maiores beneficiários deste modelo assistencial. Por parte dos trabalhadores, observou-se inicialmente resistência e insegurança face a proposta inovadora. No decorrer da implantação, o favorecimento que a proximidade com o território dos usuários e com demais equipamentos do território potencializou o trabalho assistencial e permitiu sua aprovação.
Com resultados positivos constatados pelo processo de avaliação, decidiu-se pela expansão deste modelo assistencial para os demais territórios de Curitiba e implantação de novo CAPS no território mais vulnerável do município, operando neste modelo. Em todos os territórios, evidenciou-se aumento significativo da procura dos usuários ao CAPS, comprovando que a proximidade geográfica facilita o acesso integração e articulação das equipes CAPS com as equipes de território de referência intra e intersetorial, propiciando que o cuidado ao usuário seja realizado na lógica de Equipe Ampliada, com o foco na reabilitação psicossocial e reinserção social qualificação técnica através de capacitações e educação permanente, além da experiência prática no cuidado com foco na integralidade do sujeito, obedecendo aos princípios do SUS – universalidade, territorialidade, integralidade e equidade. Vale destacar a assertividade deste modelo no período de enfrentamento a pandemia COVID-19, visto que os CAPS exerceram papel estratégico servindo como referência assistencial das questões de saúde mental do seu território.
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