Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Marcelo da Silva
Coautor(es)
Iomara Bispo Pires
Roberta Guinaldo de Oliveira
Talita de Menezes Pereira
Leidyani Karina Rissardo
Kelly Elaine Sousa
A criação do Ambulatório de Atenção Especializada no Processo Transexualizador na modalidade ambulatorial, veio ao encontro de orientações indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, que ponderam que a proteção do direito à livre orientação sexual e identidade de gênero não é excepcionalmente uma questão de saúde pública, mas abrange também temas relacionados à saúde mental e à atenção a outras vulnerabilidades que comprometem as partes envolvidas. O Processo Transexualizador envolve serviços e cuidados assistenciais direcionados a atenção à/aos transexuais e travestis que desejam realizar mudanças físicas corporais e da função de suas características sexuais. A incongruência de gênero são termos que identificam indivíduos cuja identidade ou expressão de gênero não se alinha com o sexo biológico assinalado ao nascimento.
Acompanhar e disponibilizar os atendimento com equipe multiprofissional no processo transexualizador na modalidade ambulatorial.
Para que o ambulatório se tornasse realidade houve a mobilização entre população LGBTQIA+ e representantes do governo municipal, como vereadores, prefeito do município, profissionais da saúde do centro de testagem e aconselhamento (CTA), setor de Regulação, endocrinologista, infectologista, psicólogo, assistente social e enfermeiros onde todos contribuíram com a implantação do Ambulatório para atendimento de Travestis e Transexuais. Em junho de 2022, foi inaugurado o Ambulatório Trans, a unidade integra as dependências do Ambulatório de IST/Aids e hepatites virais, atendendo mulheres trans e homens trans.
O processo de hormonização é uma das ações de maior investimento por parte de transexuais, visto que, ao alterar os caracteres sexuais secundários, produz uma maior adequação do corpo desejado. Os transexuais femininos quanto masculinos têm feito uso de hormônios prescrito pelos médicos ou não. A iniciativa da inauguração do Ambulatório Trans demonstra a preocupação dos gestores do município com pessoas que fazem uso da medicação sem acompanhamento, colocando sua saúde em risco. O processo de hormonização existe para minimizar ou aliviar o desconforto com seu corpo. Para a gestão municipal é uma preocupação integrar o indivíduo transexual, demonstrando uma necessidade urgente, para muitos dos pacientes atendidos houve um alívio importante do sofrimento decorrente da falta de apoio e porta de entrada para consultas e atendimento no processo transexualizador com uso de hormonioterapia. É notável a satisfação de cada paciente atendido no novo ambulatório, por estar sendo incluído em mais um serviço oferecido pelo sistema único de saúde (SUS), dessa forma gratuita, livre de preconceitos, diminuindo as iniquidades prestando uma assistência segura e com qualidade.
O histórico de violência, exclusão e preconceito sofrido pelas pessoas transgêneras no Brasil é antiga e ratifica a necessidade de olhar para a integralidade do cuidado a este grupo no âmbito do SUS. A inauguração do Ambulatório Trans representou importante conquista através do engajamento e mobilização dos gestores e da sociedade civil em geral. Diante disso, pensamos e estruturamos o Ambulatório Transexualizador no município de Maringá, compreendendo que a articulação entre políticas públicas voltadas a população transexual devem ser mais fortalecida para todos trans que utilizam terapia hormonal.