Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Márcio Souza dos Santos
Coautor(es)
Marisa Ferraz Gavronski Gawron
Katia Renata Antunes Kochla
Giovanna Iwersen Pucci Honaiser
Janaína Leocádio Vieira Franco
Priscila Lopes Nogueira Berveglieri
Regina Mendonça de Carvalho
Lucas Foltz
A Atenção Primária à Saúde - APS é a principal porta de entrada e o centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços, desempenha papel estratégico, servindo de base para efetivação da integralidade, tendo como uma de suas responsabilidades, assegurar o acesso universal, igualitário e ordenado. Para a garantia do acesso a APS enfrenta desafios relativos ao acesso e ao acolhimento da demanda espontânea no momento que os usuários buscam o serviço, mesmo com o esforço dos profissionais, evidenciando a necessidade de qualificar essa demanda para proporcionar atendimento em tempo oportuno e adequado às necessidades. Além do mais, através da emissão de relatórios de atendimentos realizados na Unidade de Pronto Atendimento em 2023, evidenciou-se que mais de 80% foram classificados em pouco urgente e não urgente, representando uma distorção do sistema de saúde visto que estes casos poderiam ser atendidos na APS, facilitando o acesso e promovendo agilidade no atendimento, principalmente relacionado ao tempo despendido com deslocamento. O acolhimento pode se constituir um mecanismo de ampliação do acesso, e evidencia que embora seja necessário programar o acompanhamento dos usuários também é essencial que as Unidades estejam preparadas para acolher o que não pode ser programado. Ademais, o modelo de Atenção aos eventos agudos prevê em seu terceiro nível, a gestão da condição de saúde através da classificação de risco.
Ampliar e qualificar o acesso dos usuários aos serviços de saúde por meio do acolhimento e classificação de risco à demanda espontânea na Atenção Primária à Saúde.
Trata-se de um relato de experiência a partir da elaboração do Protocolo de Acolhimento com classificação de risco à Demanda Espontânea na APS, capacitação e implementação nas Unidades de saúde do município de Araucária/Pr.
Para elaboração do Protocolo foram realizadas buscas na literatura e protocolos de outros municípios, além do diagnóstico situacional realizado por meio de Oficinas com as equipes assistenciais para discussão de casos e promoção da reflexão do processo de acolhimento utilizado nos serviços. Foi também disponibilizado para as equipes um questionário online com objetivo de traçar o perfil da demanda espontânea, tais como, dias e horários de pico, principais queixas, perfil dos pacientes e para qual categoria profissional a procura é maior. De posse destas informações deu-se continuidade na elaboração do Protocolo visando a reorganização do processo de trabalho, contendo os aspectos essenciais à sua implementação, através de distintos fluxos que envolvem acolhimento de demandas administrativas, queixas clínicas e odontológicas, escuta qualificada, classificação de risco e avaliação de vulnerabilidade. Em 08 de novembro de 2024, após capacitação o protocolo foi publicado e iniciado o processo de implantação nas Unidades de Saúde. Até 08/04/2025 o total de acolhimentos registrados no sistema informatizado foi de 19.546, destes, 46,5% tiveram o risco classificado. Dentre os usuários com risco classificado, 99,7%, correspondem ao grau “não urgente”, tratando-se de casos leves que podem ser resolvidos na APS, evidenciando a importância de garantir um processo de acolhimento estruturado para garantia de acesso qualificado e com equidade no primeiro nível de atenção da Rede de Atenção.
Com a implementação do protocolo de Acolhimento e Classificação de Risco à Demanda Espontânea na Atenção Primária à Saúde, observa-se a ampliação e qualificação do acesso dos usuários aos serviços de saúde de modo organizado, com a definição de condutas sendo realizadas a partir da identificação das reais necessidades de acordo com a escuta qualificada, classificação do risco e avaliação de vulnerabilidades sociais. Ademais, as informações referentes ao perfil da demanda espontânea subsidiam as equipes para que o planejamento da oferta assegure o acesso para atendimento das queixas agudas e demandas programadas, bem como, para o desenvolvimento e fortalecimento de ações em saúde voltadas às queixas mais prevalentes.