Tema: SAÚDE MENTAL
Autor(a)
DÉBORA NÁDIA PILATI VIDOR
Coautor(es)
Três Barras do Paraná é localizado no Centro Oeste do Estado do Paraná, pertencente a 10ª Regional de Saúde (Cascavel-Pr). Sua população estimada (IBGE 2022) é de aproximadamente 11.135 habitantes. Dispõe de uma rede de atenção primária com 04 Equipes de Estratégia Saúde da Família, 01 hospital municipal e 01 Unidade Básica do SAMU. Possui 2 equipes multiprofissionais, com: psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, farmacêutico, assistente social, educadores físicos, terapeuta ocupacional e nutricionista. A atenção médica especializada, é atendida via Consórcio Intermunicipal Saúde do Oeste do Paraná – CISOP. Nos últimos anos, mais especificamente, a partir de 2021, houve um aumento significativo de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autismo (TEA). Em vista disso, a Secretaria Municipal de Saúde de Três Barras do Paraná, a partir do ano de 2023, desenvolve um trabalho de avaliação para crianças com risco de TEA. O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é essencialmente clínico e realizado a partir de avaliação por equipe multiprofissional. Desta forma, este trabalho é realizado por 1 enfermeira e 1 psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde. Após a avaliação, se a criança apresentar os critérios para o diagnóstico, é encaminhada para o atendimento com neuropediatra.
Apresentar o protocolo de avaliação multiprofissional para o risco de autismo na Atenção Primária em Saúde, com o intuito de propiciar o diagnóstico precoce, e por consequência a estimulação adequada para as crianças com TEA.
A Atenção Primária à Saúde é a principal porta de entrada do SUS, se referindo ao TEA, não poderia ser diferente, assim, foi necessário organizar o trabalho da APS para a identificação de sinais e sintomas de TEA, através de um processo de avaliação. Os encaminhamentos para avaliação podem ser realizados por todos os profissionais da equipe de saúde e profissionais da rede de educação e assistência social. Na avaliação são utilizados 2 pilares: avaliação indireta (entrevistas, escalas com os pais, professores, profissionais) e a avaliação direta ( observação comportamental, instrumentos psicológicos e complementares). O protocolo utilizado é baseado no Curso SAPTEA, ocorre da seguinte forma: 1ª fase (indireta) anamnese com ênfase nas questões relacionadas ao TEA avaliação do desenvolvimento infantil, através dos instrumentos DENVER II ou IDADI aplicação da escala de rastreio para TEA, M-CHAT-RTM (16 a 30 meses) ou SRS-2 (a partir de 2 anos e meio) solicitação de relatório escolar, com ênfase nas questões de adaptação escolar, dificuldade comportamental e/ou pedagógica, relações sociais, comunicação, compartilhamento de interesses, engajamento social, e movimento repetitivo, mania ou hábitos. 2ª fase (direta) Observação lúdica livre e estruturada com a criança, observação da interação social com cuidadores, se necessário observação em contexto escolar. 3ª fase (indireta) Analise dos instrumentos e observações realizadas e elaboração do laudo. Por fim a devolutiva.
As avaliações sistematizadas iniciaram em agosto de 2023. Até final de dezembro de 2024, foram realizadas 26 avaliações, com crianças de 1 ano e meio a 5 anos, nas quais obtivemos os seguintes resultados: 31% das crianças apresentaram características compatíveis com os critérios diagnóstico de TEA, sendo encaminhadas para atendimento com neuropediatra, o qual confirmou o diagnóstico, fornecendo o laudo e indicando as intervenções necessárias. 34% das crianças apresentaram características relacionadas a dificuldade de comportamento (regulação emocional), ansiedade, agitação motora, as quais foram encaminhadas para neuropediatra (crianças até 3 anos e 11 meses) e psiquiatra infantil (após 4 anos). 27% das crianças teve resultado apontando problemas na fala, estas crianças foram encaminhadas para avaliação com fonoaudiólogo. E 8% das crianças avaliadas, apresentaram atraso no desenvolvimento infantil e problemas na fala, as quais foram encaminhadas para avaliação com fonoaudiólogo, estimulação precoce, e avaliação com neuropediatra.
Com o constante aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), a suspeita de risco para o transtorno é elevada, e com uma demanda, geralmente, acima da capacidade imediata de atendimento, as crianças podem acabar esperando muito tempo para poder ter acesso ao diagnóstico. Portanto, este trabalho tem o intuito de oportunizar o diagnóstico precoce, o que é tão essencial nos casos de Autismo. E também contribuir para os encaminhamentos das outras necessidades das crianças, como: atraso de fala, problemas de comportamento, atraso no desenvolvimento infantil, entre outros. Além do que, o diagnóstico para Autismo é multiprofissional, e esta avaliação está preconizada na “Diretriz de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo”, publicada em 2014. E por fim, para o SUS, é um trabalho de baixo custo, e de muita eficiência.