Tema: SAÚDE DIGITAL
Autor(a)
Marcela Mino
Coautor(es)
O município de Guarapuava/PR enfrenta um alarmante aumento na mortalidade infantil, sendo a amamentação essencial para a proteção dos recém-nascidos. O leite materno fornece nutrientes fundamentais e reforço imunológico, sendo crucial para a saúde das crianças. Por isso, é urgente adotar ações que incentivem e protejam o aleitamento materno, priorizando a amamentação exclusiva até os seis meses e sua continuidade até os dois anos. O projeto Mães em Rede, iniciado em 2023, foca em gestantes e lactantes com dificuldades no acesso a informações e serviços de saúde. Muitas dessas mulheres recebem orientações inadequadas, o que pode prejudicar a amamentação. Assim, o projeto visa esclarecer essas informações e oferecer embasamento científico. A iniciativa busca transformar a assistência ao aleitamento materno em Guarapuava/PR, oferecendo suporte contínuo a gestantes e lactantes. A integração de tecnologias digitais e uma abordagem multidisciplinar são essenciais para alcançar as metas e promover a saúde das mães e bebês. Com o crescente uso de tecnologias na saúde e a complexidade do aleitamento materno, o projeto auxilia profissionais da atenção básica, gestantes, puérperas e lactantes na promoção do aleitamento e na resolução de intercorrências. O projeto oferece conteúdos diários via WhatsApp, encontros virtuais e presenciais regulares, além de transmissões ao vivo no YouTube com especialistas, abordando temas essenciais para essa fase da vida.
Objetivo Geral: Transformar a assistência ao aleitamento materno em Guarapuava/PR, oferecendo suporte contínuo e qualificado às gestantes e lactantes, por meio da integração de tecnologias digitais e uma abordagem multidisciplinar, visando a promoção da saúde materno infantil e a melhoria das taxas de aleitamento materno no município. Objetivos específicos: - Oferecer informações sobre aleitamento materno, saúde materna e cuidados infantis por meio de plataformas digitais, como WhatsApp, Instagram e YouTube - Realizar teleconsultas e teleatendimentos para gestantes e lactantes - Organizar encontros com profissionais da saúde para discussão de temas relevantes, criando um ambiente de aprendizado e troca de experiências - Facilitar o acesso a serviços especializados através de encaminhamentos e parcerias com a rede de saúde.
O projeto, iniciado em 2023, disponibilizou teleconsultas para lactantes com dificuldades na amamentação, atendendo nas 33 UBS do município. Encaminhadas via WhatsApp, as mães recebiam orientações e agendavam suas consultas. Durante a teleconsulta, realizava-se anamnese, manejo das intercorrências e esclarecimento de dúvidas, auxílio para ajustes na prega e posicionamento do bebê, além de orientações sobre a rotina de amamentação e incentivo ao aleitamento exclusivo, desestimulando o uso de mamadeiras, chupetas e conchas. Nas lives no YouTube, foram abordados temas como cuidados com o recém-nascido, gestação, parto, pré-natal, amamentação e primeiros socorros. Já nos encontros presenciais e por Google Meet com o grupo de vivência materna, discutiram-se temas como introdução alimentar, desenvolvimento infantil, saúde mental, vínculo mãe, bebê e rede de apoio. Em dias frios ou chuvosos, priorizou-se o formato online. Foram realizadas palestras em UBS e outras instituições (UBS Feroz, UBS Jordão e UBS Colibri), além de cerca de 20 atendimentos presenciais, tanto em UBS quanto domiciliares. Mães com necessidade de apoio psicológico eram encaminhadas para atendimento via teleconsulta. Lactentes que precisavam de avaliação fonoaudiológica também eram atendidos, inclusive em domicílio, se necessário. Através de visitas em maternidades pelo programa Mamãe Guará, a equipe fazia contato com as puérperas, acompanhando amamentação, puericultura e realizando agendamentos se necessário.
Desde o início do projeto, aproximadamente 500 mulheres participaram das ações oferecidas, incluindo gestantes e mães em grupos de vivência. Foram realizados 6 lives no YouTube, 5 encontros presenciais e 6 encontros por Google Meet, além de 250 teleconsultas. A estratégia de atendimento remoto teve grande impacto, especialmente no apoio às gestantes em preparação para o parto e às puérperas com dificuldades relacionadas à amamentação. As teleconsultas se mostraram eficazes ao proporcionar acesso rápido e seguro a orientações de saúde, otimizando o tempo das participantes sem comprometer a qualidade do atendimento. No entanto, foi observado que algumas demandas, como a avaliação detalhada das mamas, exigem atendimento presencial. Por isso, recomenda-se a criação de um ambulatório específico voltado ao aleitamento materno, ampliando o suporte oferecido. A iniciativa contribuiu diretamente para a melhora nos índices de aleitamento materno e na qualidade de vida das famílias atendidas, demonstrando que é possível promover saúde e bem-estar com flexibilidade e acolhimento. Trata-se de uma ação essencial para garantir apoio contínuo e efetivo às gestantes e lactantes, respeitando seus contextos e necessidades individuais.
O sucesso da amamentação depende do esclarecimento das mães e seus familiares sobre o processo, além de condutas que melhorem as taxas de aleitamento e reduzam a mortalidade infantil. Isso exige uma equipe de saúde capacitada, especialmente enfermeiros, que devem oferecer acompanhamento de qualidade considerando os aspectos sociais, culturais e políticos envolvidos. O desenvolvimento deste projeto em um serviço de teleatendimento e teleconsultoria na rede SUS é essencial para reduzir desigualdades no acesso a serviços especializados, estimulando a reflexão sobre a importância do aleitamento materno, utilizando tecnologias acessíveis que se integrem à rotina das mães. A análise dos dados do sistema de saúde municipal mostrou aumento no aleitamento materno exclusivo durante o projeto, indicando contribuição positiva nas taxas de aleitamento. Depoimentos das participantes destacam a eficácia do projeto, com muitas recomendando os serviços a outras mães. Isso mostra que iniciativas como "Mães em Rede" podem otimizar os índices de aleitamento materno e melhorar a qualidade de vida das famílias. A continuidade e replicação do projeto podem gerar resultados ainda mais significativos.