Tema: SAÚDE DIGITAL
Autor(a)
LUNA REZENDE MACHADO DE SOUSA
Coautor(es)
FLÁVIA MARESSA LORENA OSORIO COUTINHO
VANESSA DA ROCHA CHAPANSKI
MARIANA RAULINO DE FREITAS
RENATA SCARPIN
A territorialização é fundamental na Atenção Primária à Saúde (APS) para concretizar seus atributos de acesso, longitudinalidade, coordenação do cuidado e integralidade. A Política Nacional de Atenção Básica orienta que as Unidades Básica de Saúde (UBS) atuem com base territorial e suas equipes definam os territórios sob sua responsabilidade sanitária. Este processo deve ser revisto periodicamente e não deve considerar somente a contagem dos habitantes que residem em determinada região, a territorialização precisa considerar critérios de vulnerabilidade, desigualdade social institucionalizada e a dinamicidade do território, caso contrário, pode-se produzir iniquidades de acesso em detrimento a qual UBS ou equipe o usuário está vinculado. O processo de territorialização depende do envolvimento daqueles que estão no território e têm conhecimento sobre suas características físicas e socioculturais, sendo imprescindível a participação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). No entanto, muitos municípios de grande porte ainda apresentam baixa cobertura de ACS e regiões descobertas de sua atuação. Nestes casos, a utilização de novas tecnologias pode auxiliar no mapeamento destas áreas, sinalizando as barreiras de acesso, regiões que demandam maior procura por atendimento na UBS e o perfil desta procura, e podem ser usadas para visualização das áreas adscritas às equipes, favorecendo o processo de vinculação, e para georreferenciamento e monitoramento epidemiológico das regiões.
Promover a atualização da territorialização da Atenção Primária à Saúde de São José dos Pinhais/PR, utilizando ferramentas digitais para o diagnóstico e monitoramento das regiões adscritas às UBS e às equipes de saúde, com vistas ao fortalecimento do vínculo e cuidado longitudinal dos usuários na APS.
São José dos Pinhais/PR (329.628 habitantes) conta com 27 UBS, que alcançam uma cobertura da APS de 85% e 30% de cobertura de ACS (dez/2023). Para apoiar as equipes no processo de atualização da territorialização foram realizadas as seguintes etapas: 1. Levantamento do número de usuários vinculados a cada equipe de saúde (relatórios do SISAB). 2. Levantamento do número de atendimentos realizados mensalmente nas UBS estratificados pelo logradouro (bairro e rua) do cadastro de cada usuário atendido (relatórios do sistema de prontuário terceirizado IDS). 3. Impressão de mapas da área de abrangência de cada UBS. 4. Elaboração de mapa online (My Maps - Google) com a sinalização das áreas de abrangência de cada UBS e de cada equipe. Com estes dados, procedeu-se com a realização de Oficinas de Territorialização com as UBS, para apoiar suas equipes a refletirem sobre a organização do cuidado no território e promover a atualização das divisões territoriais entre as equipes, visando equilibrar as demandas de saúde geradas pelo território de cada equipe. Após a realização das Oficinas, o mapa interativo online da APS de São José dos Pinhais foi elaborado com as novas divisões territoriais e disponibilizado para todos os trabalhadores e usuários (site da prefeitura). Foram criados Mapas Inteligentes de cada UBS, cujo acesso é restrito aos profissionais das equipes, para propiciar o georreferenciamento das principais demandas de saúde de cada área.
Foram realizadas 10 Oficinas entre out./23 e abr./24. Em cada Oficina participaram de uma a três UBS, representadas pelo coordenador, enfermeiros, ACS e profissionais residentes. As Oficinas tiveram duração de um dia, sendo realizado no período da manhã um momento teórico explicativo sobre a importância do território em saúde e uma dinâmica sobre a compreensão da Rede de Atenção à Saúde. Já no período da tarde foram compartilhados com as equipes os dados levantados previamente e os mapas da área de abrangência para procederem com as propostas de redivisão dos territórios. Neste momento os profissionais do Departamento de Atenção à Saúde apoiaram as discussões das equipes, lembrando-os de considerarem fatores relacionados ao acesso físico à UBS e ao perfil econômico-social e cultural de cada território. Com as propostas de redivisão territorial finalizadas, o mapa interativo online da APS foi atualizado e disponibilizado para acesso gratuito no Google Maps, atingindo em quatro meses de uso a marca de 9.590 visualizações. Este mapa facilitou o direcionamento e a vinculação dos usuários, uma vez que basta inserir o endereço do usuário que o mapa indica qual é a UBS de referência e a equipe responsável pelo cuidado. O Mapa Inteligente online de cada UBS também foi compartilhado com as equipes, que utilizam para sinalizar condições de maior interesse como: acamados, gestantes, famílias vinculadas a programas sociais, pessoas com deficiência, etc.
Durante este processo de territorialização, por meio dos relatórios informatizados de atendimento, percebeu-se que a divisão dos territórios propiciava iniquidades de acesso, pois haviam equipes muito mais sobrecarregadas que outras em uma mesma UBS, apesar de possuírem quantidade semelhante de usuários vinculados. Foi possível promover a compreensão de que o total de moradores não deve ser o fator principal considerado na divisão do território sob responsabilidade de cada equipe, é preciso considerar a demanda que aquela população gera para a UBS. Por exemplo, para possibilitar o equilíbrio da demanda, algumas equipes ficaram com o dobro da população adscrita em relação a outras, pois abrangiam territórios com bairros de maior poder aquisitivo. A ferramenta digital do Mapa da APS, online e interativo, de acesso público e gratuito, apoiou no fortalecimento da vinculação do usuário com sua equipe de referência, e os Mapas Inteligentes das UBS permitiram o monitoramento em tempo real das características sociais e epidemiológicas do território sob responsabilidade sanitária de cada equipe. Todos os mapas foram elaborados usando a plataforma de acesso gratuito My Maps da Google.
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