Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Soraya Férez Biagioli
Coautor(es)
Sunáli Batistel Szczerepa
Patrícia Mudrey
Everson Pontes
Fernanda Soares da Silva
Pollyana Kassia de Oliveira Borges
Sandra Regina Vozeniak
Elaine Peclat Bastos
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) foram criados para serem substitutivos às internações em hospitais psiquiátricos, tendo como objetivo principal promover o cuidado terapêutico através de uma equipe multiprofissional. Este modelo inclui a construção de um Projeto Terapêutico Singular (PTS), que contempla, entre outras atividades: o atendimento individual e/ou em grupo e o atendimento através de oficinas terapêuticas diversas (uma das principais formas de tratamento oferecidas pelo serviço). Dentre as oficinas terapêuticas tem-se a de culinária, que desempenha um papel significativo no processo da reabilitação psicossocial. Ela oferece oportunidades para desenvolver habilidades que vão desde a promoção da autonomia, autoconfiança, socialização, interação social, expressão criativa, construção de vínculo, desenvolvimento de habilidades práticas, até a melhoria da saúde física e mental, contribuindo para a qualidade de vida e reintegração na comunidade. Assim, o presente projeto, que está no segundo ano de edição, tem como objetivo desenvolver atividades culinárias terapêuticas para promoção da saúde física e mental, além de reabilitação psicossocial, juntamente aos usuários do CAPS II (que atende pacientes portadores de transtornos mentais graves e persistentes), em Ponta Grossa-PR. Os resultados apresentados neste resumo são referentes a edição realizada no ano 2023 (agosto a novembro).
Objetivo geral: Desenvolver atividades culinárias terapêuticas para promoção da saúde física e mental, além de reabilitação psicossocial, juntamente aos usuários do CAPS II. Objetivos específicos: Ofertar oficinas culinárias com temas diversos. Desenvolver habilidades práticas. Orientar os usuários sobre dúvidas gerais relacionadas a saúde, nutrição e alimentação, assim como as patologias nutricionais (diabetes, hipertensão, etc.). Incentivar a participação dos usuários como protagonistas na realização das receitas nas oficinas. Favorecer o convívio social entre os usuários. Melhorar, entre outros aspectos, a autoestima, a criatividade e o bem estar emocional dos usuários que enfrentam desafios relacionados à sua saúde mental.
O projeto é ofertado aos usuários aptos, do CAPS II, em Ponta Grossa-PR e ocorrem semanalmente, com duração aproximada de 3 horas, durante um período de 4 meses (16 encontros por edição). O número máximo de participantes é 12 e o local de execução é uma cozinha adaptada no CAPS, que conta com a infraestrutura básica necessária (bancada, fogão, forno, geladeira, pia e utensílios diversos). Os ingredientes necessários para as oficinas são adquiridos pela Fundação Municipal de Saúde do município. Os responsáveis pelas oficinas são profissionais que atuam no CAPS, sendo: uma terapeuta ocupacional, uma nutricionista e um cozinheiro. O conteúdo de cada encontro é diferente, sendo metade deles escolhidos pelos terapeutas e os restantes pelos usuários. Os temas incluem, entre outros: higiene pessoal e dos alimentos, hidratação, aproveitamento integral dos alimentos, comidas com memória afetiva e alimentos para melhorar a saúde mental. Além de sugerir temas e receitas, cada usuário atua também como protagonista de cada encontro. Em cada encontro realizado há uma parte teórica (roda de conversa) e a parte prática (preparo das receitas). Os terapeutas estimulam todos os usuários a participarem do preparo dos alimentos, sendo pelo menos um em cada etapa da receita. Após o preparo, os pratos são degustados pelos participantes, que estão sentados à mesa. Neste momento também é aberto espaço para reflexão, além de sugestões de temas para os próximos encontros.
Durante a realização das oficinas, observou-se: aumento da autoestima e confiança dos participantes ao realizarem as tarefas culinárias de forma autônoma melhora da capacidade de concentração e foco durante as atividades práticas redução dos níveis de ansiedade e estresse relatados pelos participantes melhora da habilidade culinária (os participantes demonstraram progresso na execução das receitas, evidenciando maior familiaridade com técnicas culinárias e segurança no manuseio dos utensílios) integração social (foi observada uma maior interação entre os usuários durante as atividades, promovendo o senso de pertencimento e apoio mútuo) adesão ao tratamento (alguns participantes relataram uma melhora na adesão ao tratamento psicossocial, atribuindo parte desse progresso à participação na oficina culinária). Esses resultados sugerem que a oficina culinária pode ser uma intervenção terapêutica eficaz no apoio ao tratamento de adultos com transtorno mental grave e persistente, proporcionando benefícios tangíveis para o bem-estar e a recuperação dos usuários.
A oficina culinária demonstrou ser uma atividade terapêutica inclusiva e eficaz na promoção da saúde mental e no processo de reabilitação psicossocial, proporcionando aos participantes um ambiente acolhedor para o desenvolvimento de habilidades práticas e sociais. Observou-se melhora na autoconfiança e na motivação, nas habilidades interpessoais e no bem-estar emocional. Além disso, as oficinas culinárias terapêuticas também proporcionaram momentos de descontração e integração, fortalecendo os laços comunitários no CAPS II.
Patrocinadores
Apoio