Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Matheus Fernando Rietter Quintino Ferreira
Coautor(es)
Manon Callaça
Mariana Motta Gomes
Leonardo da Cunha Porto
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada do nosso sistema e prevê resolutividade de mais 80% das queixas dos usuários. Muitos médicos da APS não se sentem seguros para realização de pequenos procedimentos nas UBS do município, como, por exemplo, retirada de lipomas, cistos sebáceos e verrugas. Por isso, foi instituído um serviço originalmente ofertado pela Atenção Secundária para suprir tal demanda. Com a pandemia de COVID-19, o serviço foi paralisado, sendo represado um quantitativo considerável de pacientes sem atendimento. Com o fim da pandemia, os profissionais da Atenção Secundária deixaram o quadro de servidores e os usuários continuaram sem assistência, gerando uma fila de mais de 2 mil pacientes. Com isso, alguns médicos da Atenção Primária começaram a tentar solucionar o problema realizando pequenos mutirões em suas UBS, porém de forma descentralizada, suprindo a demanda apenas de seus territórios adstritos. A Gestão de Atenção Primária percebeu a avidez destes profissionais e organizou um serviço centralizado próprio. O ambulatório de Pequenas Cirurgias atende desde dezembro de 2023 adultos que necessitem de procedimento cirúrgico de pequeno porte da cidade de Ponta Grossa.
Objetivo geral: Atender uma demanda de procedimentos ambulatoriais represada de forma contínua e resolutiva na APS. Objetivo específico: Instituir um ambulatório de pequenas cirurgias com profissionais da APS, respeitando os princípios do SUS e a legislação vigente. Ofertar procedimentos para todos os usuários do município, especialmente os assistidos por profissionais que não os realizam em suas áreas adstritas. Capacitar mais profissionais para realização dos procedimentos, expandir o acesso e resolutividade da APS.
Foram selecionados dois médicos concursados de Estratégia de Saúde da Família e uma residente de Medicina de Família e Comunidade. Foi escolhida a UBS Rômulo Pazinato, que além de possuir a estrutura física, fica ao lado de um terminal de ônibus para facilitar o acesso dos usuários. O município utiliza o SISREG como sistema de regulação, utilizando-o para realizar o agendamento dos pacientes. Respeitando a capacidade de atendimento dos médicos e a manutenção das atividades da UBS de origem de um dos profissionais e atividades de gestão do outro, foram agendados 12 pacientes uma vez por semana. Também foram realizados mutirões aos sábados, sendo agendados 24 pacientes. Os dois médicos se revezam no atendimento, sempre acompanhados de uma residente de MFC ou outro colega com interesse de aperfeiçoar suas habilidades.
Em dezembro de 2023 foram agendados 35 pacientes. Destes, 13 compareceram à consulta e 22 faltaram. Em 2024, foram agendados 162 pacientes, dos quais 57 compareceram à consulta e 89 faltaram. Foram treinados 3 médicos até o momento, os quais já iniciaram as atividades em suas áreas para atendimento a esta demanda sem a necessidade de encaminhamento ao ambulatório. Os usuários relataram grande satisfação com o serviço, especialmente os que aguardavam desde 2019 pela realização de algum procedimento. Surgiu a necessidade de compra de mais materiais de consumo, como fios de sutura, luvas estéreis e instrumentais cirúrgicos. Identificou-se o alto nível de absenteísmo, visto que a maioria dos pacientes aguardavam ser chamados há vários anos, e desde então já resolveram suas condições por outros meios ou não atualizaram seus cadastros para que o usuário fosse localizado.
A experiência mostra como é possível suprir uma demanda reprimida no SUS utilizando-se de mecanismos já existentes na APS e de quebra capacitar profissionais multiplicadores, sem perder a qualidade do serviço. Espera-se que em algum momento a fila seja zerada e que a maioria dos médicos sejam treinados, e, por conseguinte, com maior segurança para realização de pequenas cirurgias seja diminuída a necessidade de encaminhamento de pacientes com alguma demanda cirúrgica ambulatorial.