Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Camila Szymanski Tluski Siqueira
Coautor(es)
Vanderleia Schinemann
Marcelo Hohl Mazurechen
Mauren Izilda Costa Lubczyk
A territorialização em saúde constitui um dos pilares da organização da Atenção Primária à Saúde (APS), permite definir o território área de atuação das equipes de saúde da família a partir do mapeamento das questões sanitárias, ambientais, epidemiológicas, culturas e socioeconômicas. Prudentópolis, apresenta população estimada de 52.776 habitantes (IBGE, 2021), com 54% residente na área rural, sendo o 5º município em extensão territorial do Estado do Paraná (2.237 Km2 de área territorial). A atenção Primária à Saúde no município de Prudentópolis PR até o ano de 2017 estava configurada no modelo centralizado da oferta dos serviços da APS e no cuidado fragmentado dos usuários. Pode-se elencar o diagnóstico que orientou quanto a necessidade da reorganização da APS a partir da territorialização em saúde: ausência de território definido de atuação das equipes de saúde da família dificuldade de acesso dos usuários as ações e serviços da APS, dificuldade de criação de vínculo entre as equipes e a população ausência da continuidade das ações de saúde e longitudinalidade do cuidado da população adstrita. Tal panorama refletia em indicadores de saúde negativos de APS no município. Diante disso, evidenciou-se a necessidade aplicar o processo de territorialização em saúde no município com vistas a mapear o território para possibilitar o planejamento e programação das ações de saúde de APS de acordo com as necessidades de saúde das pessoas e das comunidades.
Objetivo geral: Descrever o processo de territorialização em saúde realizado no município de Prudentópolis PR no período de 2018 a 2021. Objetivos específicos: Promover a reorganização da Atenção Primária à Saúde no município de Prudentópolis PR. Garantir à população acesso as ações e serviços da APS em todos os ciclos de vida.
O processo de territorialização em saúde no município desenvolveu-se inicialmente pelo planejamento e organização da estratégia, em seguida a execução e por fim o monitoramento e avaliação. Na etapa de planejamento e organização do trabalho que ocorreu em 2018, desenvolveram-se as ações de captação de apoio e parceira com instituição de ensino e 5ª Regional de Saúde Edição do mapa territorial do município existente com divisão em áreas estratégicas Desenvolvimento de aplicativo para celular como ferramenta de coleta de dados Definição de equipe de planejamento, supervisão e de campo e Treinamento da equipe de supervisão de campo para a operacionalização dos trabalhos. A etapa de execução, ocorrida entre 2018 e 2021 desenvolveu as seguintes ações: Cadastro e atualização cadastral domiciliar e individual e-sus AB por regiões do município Compilação dos dados no sistema de informação em saúde e exportados na base do e-sus AB (MS) Definido o território área e microárea de abrangência de cada equipe de saúde da família, conforme os riscos e vulnerabilidades sociais Confecção dos mapas de abrangência das equipes de saúde da família Vinculação da população a unidade de saúde da família de referência e Matriciamento com todos os profissionais da Rede intra e intersetorial. A etapa de monitoramento e avaliação ocorreu durante todo o processo de trabalho e ainda ocorre de modo permanente pela gestão municipal do SUS e sua respectiva equipe técnica.
O processo de territorialização em saúde possibilitou a reorganização da Atenção Primária à Saúde (APS) em diversos aspectos, a destacar: Melhoria do processo de trabalho da APS, permitindo definir o território de atuação de cada equipe de saúde da família, bem como a definição do território microárea das equipes de agentes comunitários de saúde (ACS), permitindo a elaboração de mapa do território de abrangência das respectivas equipes e a identificação de territórios áreas descobertas por ESF e ACS. Sob o aspecto da gestão em saúde, o processo viabilizou a reorganizar da Atenção Primária à Saúde, a partir da descentralização de programas e serviços até então com pouca efetividade, sobretudo devido a centralização, passando a serem executados pela APS no âmbito das ESFs, também proporcionou o dimensionamento de pessoal otimizando o quadro de pessoal, refletindo na ampliação da cobertura de saúde da família no município (de 12 para 15 equipes) e também na melhoria de indicadores e financiamento através do Programa Previne Brasil. Efetivação da atenção integral à saúde da população, atendendo aos princípios da Atenção Básica previstos na PNAB (2017), possibilitando a garantia do acesso aos usuários as ações e serviços oferecidos pela APS, vinculando a população às respectivas unidades de saúde da família de referência, assim como, a oferta do cuidado integral aos usuários, assim como, a garantia à continuidade das ações de saúde e longitudinalidade do cuidado da população.
A territorialização fundamentou o processo de reorganização da Atenção Primária à Saúde efetuada no município entre 2017 a 2021, possibilitando o diagnóstico que norteou a ampliação de cobertura de saúde da família para 100% do território, ainda, amparando a descentralização dos serviços de APS e a oferta de atendimento em saúde mais próximo das pessoas e da comunidade em todos os ciclos de vida. O processo de territorialização em saúde é dinâmico e deve ser revisado de forma constante pelas equipes de saúde da família e pela gestão de saúde, a fim de subsidiar, o planejamento e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com foco nas necessidades de saúde das famílias e usuários de cada território para que de fato obtenha impacto direto nos fatores condicionantes e determinantes da saúde da população. Os maiores desafios se constituem na manutenção adequada da estrutura e logística em saúde no município em decorrência de sua ampla extensão territorial, assim como, a vinculação da população à unidade de saúde da família, tendo em vista que é algo novo e recente para a população, habituada anteriormente com modelo centralizado.