Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
Jose Knopfholz
Coautor(es)
Tatiana Lemos Sabatoski
Alexandra Ramos dos Santos
Daiane Fatima dos Santos
Ari Decker
Gianna Schreiber Popadiuk
O município de Campo Magro está localizado na região metropolitana de Curitiba e conta 37983 usuários do sistema público em áreas urbanas e 4006 em extensa zona rural. Como é frequente em todo o Brasil, as dificuldades inerentes à alta rotatividade de profissionais, adesão a protocolos, qualificação de equipe e trabalho interprofissional eram frequentes em 2019 quando se iniciou o Programa de Educação Permanente. O projeto tem como missão oferecer informações científicas embasadas em diretrizes para profissionais e para a população, trazendo mais segurança ao paciente e qualidade de vida aos cidadãos. Tem como maior diferencial pautar sua atuação nas necessidades de saúde do município a partir de um plano estratégico claro, alinhado às demandas dos usuários e da equipe e com impacto em todos os níveis de saúde do município. Para que tais premissas sejam atingidas, o projeto parte de 5 grandes pilares: a)Tempo protegido para execução do projeto por parte da equipe organizadora b)Tempo protegido para desfrute do projeto por parte dos profissionais de saúde beneficiários c)Uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem como paciente virtual, simulação clínica, Mentimeter, Team Based Learning, oficinas hands-on e problematização d)Parceria com Universidade reconhecida nacionalmente e envolvimento de estudantes em projetos específicos e)Documentação disponibilizada aos profissionais após a conclusão dos treinamentos.
O objetivo geral do Programa Municipal de Educação Permanente de Campo Magro é ser o mais inovador do Brasil em sua concepção e atuação. Para tal visa reconhecer em cada atividade ao menos um dos seguintes benefícios: segurança assistencial, satisfação com trabalho, consumo inteligente de recursos e protocolos clínicos, racionalização de encaminhamentos. Ainda, pretende oferecer à população estímulo ao auto-cuidado, resolutividade, agilidade e satisfação. Nesse sentido, intenciona-se um programa voltado para as necessidades do sistema, construído sob sua demanda e ajustado conforme novas temáticas se tornam necessárias conforme o cenário de saúde. Ainda, tem-se como objetivos adicionais garantir e implementar protocolos e reassegurar seu uso, sempre em consonância com as evidências em saúde e com a segurança de sua efetiva aplicação.
O Programa Municipal de Educação Permanente conta com uma equipe executora de 6 pessoas e um coordenador acadêmico, professor universitário e realiza ao menos 3 atividades mensais remotas ou presenciais, sendo convidada a totalidade do grupo assistencial do município para ao menos uma delas, a qual é realizada em horário noturno por meio remoto. Para definição da demanda a comissão gestora do Programa Municipal de Educação Permanente promove encontros periódicos com os responsáveis pela estratégia de saúde do município. Tais encontros visam a confecção de um programa baseado na medida da necessidade e flexível na medida das mudanças do cenário de saúde e demandas regulatórias. Para cada treinamentos operacionaliza-se um arcabouço de competências baseadas no conceito triádico de saber, saber-fazer e saber-ser (Scalon, 2005). Utilizam-se de metodologias acadêmicas de ponta. Para que tais premissas sejam atingidas, o projeto parte de 5 grandes pilares: a)Tempo protegido para execução do projeto por parte da equipe organizadora b)Tempo protegido para desfrute do projeto por parte dos profissionais de saúde beneficiários c)Uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem como paciente virtual, simulação clínica, Mentimeter, Team Based Learning, oficinas hands-on e problematização d)Parceria com Universidade reconhecida nacionalmente e envolvimento de estudantes em projetos específicos e)Documentação disponibilizada aos profissionais após a conclusão dos treinamentos.
Em operação desde 2019, o projeto impactou 98% dos profissionais de saúde do município. Foram trabalhadas 38 temáticas diferentes junto à equipe de saúde, dentre assuntos diversificados tendo como exemplo mas não se limitando a: RCP, Vias Aéreas, Abordagem Pré Natal, Aleitamento Materno, Fórmulas Infantis, Emergências Psiquiátricas, AVC, IAM, Dor Abdominal, Emergências Respiratórias, ECG, COVID, Emergências para o Odontólogo, Orientações Alimentares, Pré-operatório, Mudanças de Comportamento e Hábito de Vida, Pré-operatório, Atestado de Óbito, Monkeypox e outros. 48% das atividades realizadas foram remotas e 52% presenciais. Mudanças claramente percebidas foram reconhecidas e mensuradas em cada treinamento, das quais citam-se alguns de vários exemplos possíveis: a) Redução de 25% de pedidos de ecocardiograma transtorácico que eram demandados por posição equivocada de eletrodos no eletrocardiograma b)redução de 76% dos encaminhamentos de pré-operatórios ao cardiologista por implementação e treinamento de avaliação pré-operatória c)criação de unidades sentinela para pacientes com suspeita de COVID com protocolo claro de triagem e contaminação controlada. Na avaliação dos profissionais submetidos ao treinamento, ao treinamento, a média de avaliação é de 4,88 de um máximo de 5 e os comentários são extremamente estimulantes: “ótimo e necessário”, “excelente oportunidade de atualização”, “muito bom, bem dinâmico”. No total foram produzidos também 24 materiais e diretrizes.
O Programa Municipal de Educação Permanente de Campo Magro vem cumprindo sua missão e, ao longo de 2,5 anos proporcionou segurança assistencial e fidelização da equipe, que encontra respaldo nos treinamentos formais mas também em possibilidade de trazer dúvidas, questionamentos e pedidos acerca de seus objetivos. Lembra-se nesse contexto o papel educador do sistema público previsto já na sua origem. Nesse aspecto, um sistema de ensino capaz de engajar e que seja baseado nas evidências de educação em saúde pode ser organizado, estruturado e trazer mais resultados aos pacientes do que palestras pontuais e de eficácia questionável para mudança do sistema. Por fim, o processo de educação permanente, como parte integrante do sistema assistencial, deve se comunicar com o mesmo, mensurar claramente seus resultados e oferecer demandas significativas para a melhoria da saúde dos usuários do sistema. Conclui-se que a educação dos provedores de saúde jamais pode ser dissociada das necessidades da comunidade, demanda profissionalismo e tempo dedicado e pode ser capaz de modificar o sistema de forma profunda, além de ter claros objetivos educacionais alinhados a uma estratégia centrada na pedagogia, aplicabilidade e motivação.