Tema: GESTÃO E PLANEJAMENTO DO SUS
Autor(a)
Beatriz Rodrigues Folha
Coautor(es)
Amallia Lianka Alves Nunes Teixeira
Larissa Djanilda Parra da Luz
As análises dos territórios são compostas por perfis demográficos, epidemiológicos, socioeconômicos, culturais e políticos que estão em constante transformação. Dentro da perspectiva da saúde é no território que ocorre o processo saúde e doença, dessa forma, reconhecê-lo é fundamental. Em seu conceito amplo a saúde também é compreendida como movimento da acumulação de situações sociais, históricas, ambientais e políticas composta por sujeitos biopsicossociais. Por isso, para se entender as realidades do território, há ferramentas de gestão, como o Diagnóstico Situacional, utilizado para coletar, analisar e tratar dados de acordo com as demandas encontradas no local: problemas de saúde, educação, saneamento básico, habitação, transporte, lazer e segurança, sendo está uma importante ferramenta para a gestão, pois identifica as condições e os riscos para a saúde, onde o indivíduo está inserido, dando base para o planejamento e programação de ações voltadas para a realidade da população, contribuindo para organização da rotina e serviços ofertados na UBS. No trabalho apresentado aplicou-se o Diagnóstico Situacional na UBS São Roque Anair dos Santos de Quadro em Foz do Iguaçu/PR de abril a maio de 2022, como parte das atividades realizadas pela residência Multiprofissional em Estratégia de Saúde da Família, que tem como finalidade reconhecer a situação de saúde local, visando o planejamento de estratégias compartilhado com a UBS para resolução dos problemas.
Objetivo Geral: •Objetivo Geral: Realizar o diagnóstico situacional da equipe 75 da USF São Roque Anair dos Santos de Quadro. Objetivos Específicos: •Identificar os perfis institucional, territorial/ambiental, demográfico, socioeconômico e epidemiológico da equipe 75 da USF São Roque. •Reconhecer o processo de trabalho da equipe multiprofissional, com ênfase na atuação do Agente comunitário de saúde (ACS) na territorialização. • Disponibilizar os dados a USF e aos seus usuários de maneira contextualizada.
Se tratando de um Diagnóstico Situacional é necessário conhecer de perto o território, por isso, o primeiro passo do grupo foi reconhecer o bairro São Roque, mais precisamente a área 75. Foram feitas observações e utilizado o caderno de campo para as anotações. Outro instrumento usado foi à entrevista semiestruturada, realizada com três atores sociais da área 75. O questionário foi composto por perguntas referentes aos aspectos históricos, de saúde, urbanos, socioeconômicos e educacionais do bairro e seus moradores. Para a coleta de dados secundários utilizamos o sistema de informação de saúde: E-SUS, por meio dele obtivemos os dados do perfil territorial, demográfico, socioeconômico, epidemiológico e institucional da área 75 da UBS São Roque no período de janeiro a maio do ano de 2022. Para complementação dos dados também entrevistamos a gerente da unidade a fim de obter informações referentes aos dados institucionais da UBS São Roque. Na análise dos dados e informações coletadas, foi preciso a busca por referencias teóricas totalizando 46 materiais, tratando-se dos perfis mencionais acima, do sistema municipal de saúde e sobre a Estratégia de Saúde da Família (ESF).
Dentre as diversas problemáticas encontradas destacamos a falta de comunicação entre a UBS e comunidade, isso porque ainda não há a compreensão da população sobre o funcionamento da ESF, além dos traços deixados em decorrência da pandemia da Covid-19, que gerou alterações dos processos de trabalho profissionais na atenção primária em saúde. Das mudanças identificadas encontramos o programa hiperdia, que no período da pesquisa encontrava-se com escassez de dados desse público em relação a consultas nos últimos 6 meses, devido a suspensão das atividades, assim criou-se uma resistência do grupo para retornar a rotina dos acompanhamentos. Outro dado que chamou atenção foi adesão vacinal da área corresponde a mais de (65%) das crianças menores de 5 anos, justificando o percentual similar das crianças que se encontro na creche, pois para realizar a matrícula nas escolas municipais, é necessário apresentar o comprovante de declaração de vacinas em dia, justificando a adesão vacinal. Salientamos que mesmo a UBS sendo considerada como modelo para o município, na análise encontramos alguns obstáculos que comprometeram a correlação com a realidade da UBS. O registro dos dados no E-sus em algumas categorias são insuficientes e desatualizados, além de possuírem duas microáreas descobertas. Conhecer o território nos levou a identificar questões que são transversais à saúde, o que ressalta a necessidade de desenvolver ações interinstitucionais.
O Diagnóstico Situacional apresentou as potencialidades e fragilidades da UBS São Roque. Identificando as vulnerabilidades é possível traçar metas, realizar o planejamento e aplicar ações em saúde que condizem com a realidade local, além de possibilitar adequações conforme as demandas/necessidades da unidade já que é um instrumento flexível. Para a gestão não só da unidade como municipal o Diagnóstico Situacional é um instrumento que ajuda a planejar a partir dos problemas priorizados o que corrobora para gestão de qualidade a partir de um trabalho fundamentado, podendo reduzir os custos e promover a melhorara no processo de trabalho e contribuir com a formação de profissionais mais críticos e reflexivos, além de agregar a população ao planejamento, dando mais ênfase ao controle social, assim como previsto na política do SUS. O Diagnóstico apresentado deu base para elaboração de ações de educação permanente em saúde, orientando: fluxo da unidade programas realizados processo de trabalho da equipe realização e atualização dos cadastros, contribuindo para identificar populações de risco, demandas urgentes. Realizando um conjunto de ações de serviços em saúde, buscando estabelecer a qualidade da Saúde do Município.